"Quebrei. Consertei. Aprendi. Agora brilho onde antes era fraqueza."
Essa frase, inspirada no Kintsugi, é a que mais ressoa com as trajetórias que acompanho ao longo da minha carreira.
O que é Kintsugi?
Kintsugi é a arte japonesa de reparar cerâmicas quebradas com ouro, prata ou platina. Em vez de esconder as rachaduras, o artesão as preenche com metal precioso — tornando a peça não apenas reparada, mas mais bonita e mais valiosa do que era antes.
A filosofia por trás dessa prática é poderosa: as quebras fazem parte da história. Elas não devem ser escondidas — devem ser honradas.
O problema com a cultura do currículo perfeito
Há uma pressão enorme, especialmente em posições executivas, para apresentar uma trajetória linear e sem falhas. O LinkedIn virou uma vitrine de conquistas. As entrevistas se tornaram exercícios de narrativa positiva.
E nessa corrida por parecer invulnerável, perdemos algo fundamental: a autenticidade.
Muitas vezes, o candidato que mais impressiona em uma entrevista é aquele que conta o que deu errado — e o que aprendeu com isso. Não porque fracasso seja glamouroso. Mas porque demonstra consciência, maturidade e capacidade real de crescimento.
O que os melhores líderes têm em comum
Depois de mais de duas décadas posicionando executivos, identifiquei um padrão consistente:
Os líderes mais respeitados não são os que nunca erraram. São os que erraram, aprenderam e construíram algo melhor com isso.
O executivo que passou por uma demissão inesperada e usou esse período para ressignificar sua carreira. A gestora que liderou um projeto que fracassou e saiu com clareza sobre o que não fazer. O profissional que mudou de área aos 40 anos e descobriu onde realmente pertence.
Essas são as histórias Kintsugi. E elas valem ouro — literalmente.
Como aplicar o Kintsugi na sua trajetória
Você não precisa esconder suas quebras. Precisa aprender a contar a história delas com inteligência:
1. Reconheça a quebra sem drama Não minimize nem exagere. Um projeto que não deu certo é um dado, não uma sentença.
2. Mostre o ouro — o que você aprendeu Qual foi a virada de chave? O que você faria diferente? O que essa experiência te deu que você não teria obtido de outra forma?
3. Conecte com quem você é hoje A quebra te formou. Como? Seja específico. "Aprendi a liderar em crise" é diferente de "fui resiliente".
4. Não peça desculpas pela sua trajetória Ela é única. E a singularidade — com tudo que a compõe — é o que te diferencia de outros profissionais com o mesmo título e as mesmas certificações.
"Você já tem dentro de si mais do que imagina. Às vezes, só precisa de alguém que enxergue."
O que buscamos quando avaliamos candidatos
Na AG Mello, quando conduzimos um processo de Executive Search, não buscamos o currículo mais polido. Buscamos a pessoa mais real.
Queremos entender: o que formou esse profissional? Quais foram os momentos de virada? Como ele reage quando algo vai mal?
Porque o executivo que vai liderar equipes, tomar decisões difíceis e navegar incertezas não pode ser de porcelana. Precisa ser Kintsugi — marcado, reparado, e por isso, mais forte.
Ariana Mello é fundadora da AG Mello, Boutique de Executive Search especializada em hospitalidade, gastronomia e mercado corporativo.
Ariana Mello
Fundadora & CEO · AG Mello Boutique de Executive Search